As redes sociais devem ser atentamente ouvidas e interpretadas

Se você é o tipo de político que acha que a realidade é apenas aquela que você percebe e que sua participação nas redes sociais tem como única função, comunicar à plebe suas interpretações dos fatos, esqueça, esse modelo não vai funcionar mais. Se você ainda não entendeu isso, basta ligar a TV, se esse ainda é o seu canal de comunicação.

Os acontecimentos recentes mostraram nitidamente um ponto de ruptura com os padrões políticos vigentes no país. Ao que tudo indica, a disseminação do acesso às informações através da Internet, criou no povo brasileiro, uma consciência que não pode ser percebida pela maioria dos políticos.

A arrogância de alguns políticos, fez com que apostassem na ponta contrária a da tecnologia. Acharam que a melhor presença possível entre a população seria a prática assistencialista e outros truques baratos como a distribuição de “benesses” pré-eleitorais, do tipo camisetas e cestas básicas. Não perceberam que milhões de pessoas estavam conquistando sua posição como voz ativa na construção do futuro de suas vidas, através da Internet.

Opa! Antes que alguém possa se precipitar e dizer que tudo isso só foi conseguido em função das ações de inclusão digital do governo, devo deixar claro que este, certamente não foi um governo que tivesse uma orientação neste sentido, inclusive, porque não interessa a muita gente que a informação circule tão livremente assim.

O que as redes sociais já vinham falando?

As principais redes sociais no Brasil, Facebook e Twitter, já vinham cantando há muito tempo a pedra. O que no início era apenas “humor negro político” passou a ser visto como triste Realidade: corrupção, impunidade e descrédito nas instituições públicas. Na medida em que essas coisas passaram a ser rotineiras, esse tipo de abordagem também mudou de nome, passou a se chamar: Indignação. Pronto, estava pronto o estopim da bomba social.

O que isso tem a ver com marketing e relacionamento em redes sociais? Tudo. O que estava acontecendo poderia ter sido incorporado à inteligência política do candidato, e isso, independentemente de um contrato com um grande instituto de pesquisas e muito menos com valores absurdos por uma pesquisa que se pode ter online.

O monitoramento de tendências, menções e percepções poderia ter dado a resposta. Mas, como não somos adivinhos, e todos estamos aprendendo, e muito, sobre redes sociais e acontecimentos políticos, o grande passo em direção ao conhecimento do eleitor, é aprendermos com esse exemplo e outros que o antecederam.

Se formos fazer um exercício de observação rápido por aqui, eu até me atreveria a prever que manifestações como estas irão ocorrer em outros países da América Latina, da mesma forma que ocorreu no Oriente Médio há pouco tempo.

Ouvir as redes sociais no atual momento político é essencial

O novo posicionamento político digital

As mudanças estão ai e a capacidade de leitura das mensagens é certamente um grande trunfo para as próximas eleições. E não se iluda, essa mudança de direção deve iniciar já, sob o risco de perder o argumento fundamental para as próximas eleições e com isso, a essência da campanha, o que sempre foi e será o combustível principal de qualquer vitória nas urnas.

Primeira Dica – Assuma um posicionamento pessoal

Uma das mensagens que os últimos acontecimentos passaram é a de que a imagem dos partidos está extremamente desgastada. Por isso, não deixe que a identidade visual do seu site mais pareça uma filial do seu partido, pois siglas não vão emplacar nas próximas eleições.

Não que eu esteja falando em rejeição ao partido, mas, que a imagem dos partidos, sua paleta de cores e outros símbolos, não ajudará muito nas próximas eleições, disso não tenho a menor dúvida.

Por isso, uma correção importante a ser feita no site de um potencial candidato nas próximas eleições, é deixa-lo muito mais ligado a sua proposta e imagem pessoal do que a do partido, que nesse momento não agregaria valor algum à sua “marca política” e talvez possa até atrapalhar.

Segunda Dica – Ouça muito mais ainda as redes sociais

Estamos passando por uma coisa parecida com uma inversão magnética na Terra. O Norte pode não estar tanto ao norte assim, como o Sul pode não estar mesmo lá em baixo. Toda e qualquer equipe envolvida em marketing político deve se reposicionar, e essa mudança precisa ser muito rápida. Tão rápida quanto o poder de comunicação das redes sociais.

Em eleições majoritárias, é necessária uma análise macro dos anseios do eleitorado nacional e por isso é importante estar alinhado tanto ideologicamente quanto socialmente. Esqueça todo o perfil de candidato traçado até o último mês. É hora de procurar uma nova imagem, mais abrangente e desvinculada com estruturas conhecidas.

Momento de ações radicais

Uma coisa que muita gente ignora é que em momentos de grande tensão, nascem muitas inspirações. Aproveite esse momento de reformulação obrigatória para entender melhor o eleitorado, mas não com foco em ações isoladas, e sim como proposta.

A história mostra que os grandes momentos de mudanças sociais são provocados pela surdez dos participantes políticos em relação, principalmente, aos anseios das massas. Não faz sentido, um aspirante a representante político, se fazer de indiferente ao que transita nas redes sociais atualmente. É suicídio político certo a curto/médio prazo.

Quer disputar pra valer as próximas eleições? Então aprenda a interpretar o que ocorre nas redes sociais em termos de marketing político, ou então corra o risco de presenciar seu primeiro discurso sem plateia. Pelo menos que valha a pena ser mencionada.

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