Marketing político brasileiro vira item de exportação

A lista de países onde especialistas brasileiros em marketing político atuam vem aumentando. Argentina, Peru, Paraguai, El Salvador, México e República Dominicana são algumas das nações que contrataram serviços desses profissionais.

A consultoria em marketing político de brasileiros já contribuiu para a eleição de três presidentes latino-americanos que, atualmente, exercem o cargo: o peruano Ollanta Humala, o salvadorenho Mauricio Funes e o paraguaio Fernando Lugo. Para especialistas, a nossa atual democracia competitiva e a qualidade dos profissionais fizeram com que o Brasil começasse a exportar marketing político. “As campanhas brasileiras estão fortemente profissionalizadas.

Inicialmente, começamos analisando as campanhas norte-americanas e, depois, formos expandindo. Somos uma democracia muito competitiva. Quem aprende a lidar no Brasil pode lidar em qualquer local. É uma escola. São muitos profissionais competentes. Algo a exportar”, afirma o professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, as campanhas de marketing político bem-sucedidas de Lula e da atual presidente Dilma Rousseff também deram uma “vitrine” maior ao marketing político brasileiro no exterior. Porém, o consultor afirma que a consagração desses especialistas vem acontecendo há anos. “Não acredito que tenha sido uma consequência apenas das campanhas do Lula e da Dilma. Isso já acontecia. Muito antes, fizemos consultorias políticas para a Argentina e o Paraguai. A campanha do Paulo Maluf, por exemplo, foi um “case” que analisaram no mundo todo. Mas, claro, que a Dilma também chamou atenção. As pessoas se perguntavam: “Como uma ex-guerrilheira se torna presidente de um país?”, afirma.

Manhanelli explica que a construção da imagem de um candidato é um trabalho que leva anos. “O fenômeno Lula foi uma construção de uma pessoa em 20 anos. É um político que veio do setor dos trabalhadores, tinha uma figura raivosa – uma espécie de Che Guevara – e, depois, se transformou no “Lulinha paz e amor””.

Na Venezuela campanha tem duelo de brasileiros

O próximo país a contar com o auxílio de especialistas brasileiros em marketing eleitoral nos pleitos presidenciais será a Venezuela. O pleito acontece no dia 7 de outubro e é um dos mais incertos da região. O candidato da oposição, Henrique Capriles, contratou a dupla Renato Pereira e Chico Mendez para criar sua estratégia de comunicação. Já o presidente Hugo Chávez estaria fechando um acordo com o baiano João Santana, responsável pelo marketing político das campanhas de Lula e de Dilma Rousseff.

Segundo o cientista político venezuelano José Vicente Carrasquero, a Venezuela sempre importou o marketing político. Porém, anteriormente, contratavam-se especialistas norte-americanos. “Na atualidade, estão sendo contratados profissionais do Brasil, associados ao êxito da gestão pública que governantes como Lula mostraram. Outro critério é a problemática sócio-política venezuelana, que é mais parecida com a brasileira do que com a norte-americana”, explica.

De acordo com Carrasquero, Santana deve enfrentar uma série de desafios em termos de marketing político na campanha do atual presidente. “Hugo Chávez é uma pessoa que dificilmente aceita conselhos de outras pessoas, basicamente porque é muito desconfiado. Será difícil ganhar a confiança do presidente”, afirma.

Carrasquero explica, ainda, que outra questão importante será evitar que se fale da gestão de Chávez dos últimos 13 anos, já que ela se encontra, em termos de conquistas, muito abaixo das expectativas da população. Porém, o cientista político aponta que o desafio mais importante em termos de marketing político é esclarecer o estado de saúde do líder venezuelano, que se trata de um câncer. “Será difícil os partidários de Chávez acreditarem que ele está curado ou em vias de melhora. Para conseguir votos que façam a diferença na campanha, será complicado”, diz.Por outro lado, a campanha da oposição de Capriles sob o slogan “Há um caminho” deve adotar uma posição de contraste em relação ao atual presidente.”Mas, ao mesmo tempo, Capriles precisará oferecer uma mudança que não coloque em risco os programas sociais que foram implantados pelo presidente Chávez”, ressalta Carrasquero.

Outro desafio será conseguir penetração em meios de comunicação, já que o governo nacional controla grande parte das rádios e televisões. Até o momento, o candidato da oposição parece ter adotado uma estratégia de não-confrontação. Ele tem evitado responder aos insultos e às insinuações de Chávez e de seus seguidores. Para o cientista político, enquanto o presidente é agressivo, excludente e evita entrar em profundidade quanto suas propostas, Capriles mostra os resultados de suas obras como governador e oferece soluções concretas para as pessoas.

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