Fake News nas eleições municipais de 2020

Já existe uma série de questionamentos em torno das Fake News nas eleições municipais de 2020, que ao que tudo indica, será um dos maiores desafios a serem enfrentados.

A divulgação de conteúdos falsos nas redes sociais e outros canais digitais nas disputas municipais de 2020 vem preocupando especialistas no assunto em diversos setores.

Esta questão foi objeto do debate no seminário Internet, Desinformação e Democracia, promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Durante o evento foram discutidas propostas para o enfrentamento das fake News nas eleições municipais de 2020 nas plataformas digitais.

A advogada e integrante do CGI, Flávia Lefévre, manifestou preocupação com o poder das plataformas e com a capacidade econômica em escala mundial.

Ela destacou que a minirreforma eleitoral restringiu a propaganda paga na internet apenas a grandes plataformas, especialmente Facebook e Google.

A especialista defendeu a necessidade de criação de mecanismos que diminuam a influência do peso econômico nas redes, uma vez que candidatos com mais recursos passaram a ter mais chances de veicular anúncios nas plataformas.

Violações das regras eleitorais

O ex-ministro do Tribunal Superior, Eleitoral, Henrique Neves, destacou a complexidade de tratamento das Fake News nas eleições de 2020.

Ele lembrou que a análise de violações na propaganda eleitoral será feita por 2.800 juízes das zonas eleitorais responsáveis pelas disputas municipais nas diferentes regiões do país.

O total de candidatos, estimou Neves, em função das mudanças nas eleições para vereador em 2020, deve passar dos 500 mil em todo o Brasil.

“A eleição municipal é muito mais complicada de ser feita do que a nacional. Você vai ter um universo menor, municípios com 20 mil pessoas, onde uma Fale News pode se espalhar mais rapidamente. É importante uma qualificação para que os juízes, Ministério Público e advogados saibam lidar com o problema”, afirmou.

Facebook e as Fake News

Outra preocupação em relação às Fake News nas eleições municipais de 2020 vem do uso do Facebook para a disseminação de notícias falsas sobre os candidatos.

Marcos Tourinho, diretor de políticas do Facebook para eleições na América Latina, apresentou as iniciativas da empresa para “garantir a integridade das disputas eleitorais”, como têm sido implantadas em pleitos nos últimos anos e que serão adotadas em eleições deste ano, como na Argentina e na Bolívia.

Tourinho explicou que em função da importância do marketing político no Facebook, a empresa empreende ações para reduzir contas falsas e o alcance de notícias identificadas como falsas por checadores no newsfeed.

A empresa também e disponibiliza informações sobre anúncios políticos, como a exigência de confirmação de identidade, a disponibilização de quem pagou e que segmentos populacionais receberam as peças.

Foram atacados os incentivos financeiros para atores maliciosos, reduzindo o alcance de publicações que visam atrair usuários para sites com anúncios e mantendo centros de monitoramento para dar respostas a mensagens enganosas, de acordo com o diretor.

Questionado, disse que a empresa não aprovou nenhuma nova medida para as eleições de 2020 no Brasil e que será feito um esforço em torno da diversidade e fragmentação do pleito.

Fake News nas eleições municipais de 2020

WhatsApp no marketing político eleitoral

Um canal digital que também preocupa bastante em relação à disseminação de Fake News nas eleições municipais de 2020 é o WhatsApp.

João Brant, pesquisador do Observatório Latino Americano de Regulação, Meios e Convergência, observou que o combate à desinformação nas eleições de 2020 passa pelo enfrentamento do problema no WhatsApp.

O marketing político no WhatsApp se tornou uma realidade nas eleições de 2018 e apesar de ser uma rede social de mensagens privadas, permite a difusão em massa de informações, como nos grupos de até 256 integrantes, de forma obscura e utilizando o anonimato, “enterrando o debate político”.

Para evitar o uso a plataforma nas próximas eleições, o pesquisador defendeu uma série de medidas.

“Em 2020, vamos ver o problema de 2018 em 5.500 municípios. As plataformas têm responsabilidade e têm que atuar, garantindo transparência. É preciso, por exemplo, mudar o padrão de autoria no Whatsapp, viabilizar a identificação de responsáveis por mensagens que violem os códigos Penal e Civil e constranger práticas reincidentes de desinformação.”

Desinformação é mais danosa que as Fake News

A professora Madeleine de Cock Buning, diretora do grupo de especialistas em desinformação da Comissão Europeia, ressaltou que não há apenas uma solução que dê conta do problema.

“Não há bala de prata. É um problema com várias faces. E tem que ter uma solução multidimensional. O nosso trabalho é definir o escopo do problema e formular recomendações”, disse.

O uso do termo desinformação, segundo a professora, é mais preciso do que Fake News, nome apropriado por alguns políticos e seus apoiadores para desvalorizar notícias que os desagradam. “Nosso trabalho é definir o escopo do problema e formular recomendações”, afirmou.

O documento elaborado pelo grupo da União Europeia indica que a desinformação não será combatida se não houver um ambiente plural e diverso, com diferentes fontes de informação disponíveis aos cidadãos.

A promoção passa pelo empoderamento, tanto dos jornalistas e veículos profissionais de notícias, quanto dos próprios usuários. Iniciativas de formação – “alfabetização midiática” – fundamentais para que as pessoas tenham uma postura mais crítica, não acreditem ou não repassem as mensagens automaticamente.

Ainda para Madeleine, a disseminação de notícias falsas está vinculada à desconfiança no conjunto das instituições, gerando um desinteresse no que elas apresentam como verdade.

“Em muitos casos, pessoas preferem acreditar naquilo que confirma suas opiniões, evitando posições críticas”, completou a especialista.

Todo este cuidado em relação às Fake News nas eleições municipais de 2020 faz sentido, já que o uso deste expediente vem ganhando proporções mundiais, e infelizmente ainda temos muitos candidatos e grupos de apoio que se valem dele.

Resguardada a liberdade de expressão, o fato é que no ano passado, as notícias falsas nas eleições ocuparam lugar de destaque em toda a imprensa, chamando inclusive atenção do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, que organizou diversos grupos para tentar fazer com que o direito eleitoral fosse respeitado.

Recentemente o TSE lançou um vídeo muito interessante sobre o combate a desinformação nas eleições de 2020 que vale a pena divulgar.

Temos certeza que, infelizmente e apesar dos esforços da justiça eleitoral, este ainda será um assunto recorrente na nossa seção Eleições Municipais 2020 na Internet nos próximos meses.

A questão das Fake News nas eleições municipais de 2020 ainda vai dar muito o que falar e você pode acompanhar o desenrolar deste tema, assinando a nossa Newsletter.

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