Aécio Neves perde ação contra sites de buscas

O senador Aécio Neves perdeu a ação judicial que movia desde 2013 contra os maiores sites de busca da internet, como Google, Bing e Yahoo e seus advogados já anunciaram que vão recorrer da decisão.

No processo, o senador pediu que a Justiça restringisse as buscas na internet, impedindo que essas empresas de relacionassem seu nome a termos que levassem os usuários a notícias desfavoráveis a ele, associando-o a “desvio” de recursos públicos em seu governo em Minas Gerais.

Na prática, o que Aécio realmente estava pedindo é que buscadores como o Google, por exemplo, excluíssem das páginas de respostas, resultados que lhe fossem negativos, o que de ante mão, já pode ser classificado de um tremendo absurdo.

O processo é parte de uma ofensiva de Aécio na Justiça para identificar e neutralizar detratores na internet, iniciada às vésperas da última campanha presidencial, quando ele foi o candidato do PSDB.

Em sua decisão, o juiz Rodrigo Garcia Martinez, do Tribunal de Justiça de São Paulo, comparou os sites de busca a “bibliotecários virtuais”.

“Se numa biblioteca pedimos um livro, eles o localizam e o trazem. Se o conteúdo é apto a cometer ilícito, o autor é quem deve responder, não a biblioteca ou o bibliotecário, sob pena de realizarmos práticas fascistas, comunistas ou nazistas”, escreveu.

A origem do problema

O senador Aécio Neves perdeu ação que movia contra os grandes buscadores, como o GoogleOs alvos da indignação de Aécio na ação eram as notícias que o acusavam de ser réu em um processo por “desvio de R$ 4,3 bilhões na Saúde”, quando governador de Minas Gerais (2003-2010).

Seus advogados alegam que essas notícias foram produzidas para induzir o leitor a acreditar que o senador era alvo de investigação por ter se apropriado indevidamente de recursos.

A verdade é que havia, de fato, uma ação proposta pelo Ministério Público de Minas, mas ela questionava a contabilização de verbas aplicada em saneamento como dinheiro investido em saúde. A Justiça de Minas extinguiu o processo.

Na sentença, o juiz reconheceu as notícias como “falsas”, mas ponderou que “inibir o acesso às informações por meio de filtros na ferramenta de busca representa retrocesso à livre manifestação”.

Para o juiz Martinez, “por mais odiosa que seja a prática de ridicularizar a imagem de um político que representa ideais de uma grande parcela da população”, não é justo acionar os sites de busca em vez dos autores das notícias.

Procurada, a assessoria do tucano informou que ele vai recorrer contra a decisão. Para os advogados de Aécio, as notícias foram espalhadas por uma “quadrilha virtual”, “abastecida com recursos públicos”com o intuito de denegrir adversários do governo.

Os advogados ressaltam ainda que Aécio “não pediu a exclusão dos conteúdos da internet”, mas a remoção dos links que direcionavam usuários a eles nos sites de busca. Se formos encarar pelo lado técnico, excluindo o “advocates”, na verdade o que queriam mesmo era a exclusão dos links mesmo. Sejamos honestos.

Acordo entre as partes

Durante o processo, os advogados de Aécio tentaram um acordo com os portais, mas não tiveram sucesso, como registrou o juiz em sua sentença. No entanto, uma pesquisa no Google com os termos que incomodavam Aécio produz resultados diferentes hoje, levando até a notícias favoráveis ao senador.

Questionado pela equipe da Folha de São Paulo, o Google disse que não houve acordo ou qualquer mudança nos critérios de suas buscas.

“As buscas são produzidas automaticamente, baseadas em fatores como a popularidade dos termos. Periodicamente fazemos atualizações, e os termos que aparecem no preenchimento automático podem mudar ao longo do tempo”, afirmou a empresa.

Falta a grande maioria dos políticos brasileiros o entendimento do funcionamento dos canais digitais. O que houve no caso do Senador Aécio Neves, foi um caso típico do uso de técnicas de SEO no marketing político. Seus adversários políticos usaram tais técnicas para evidenciar a parte que lhes interessava da notícia, omitindo neste caso, a que não os interessava.

A marketing político digital é composto por diversas ferramentas e técnicas, que devem ser de amplo conhecimento de toda a equipe responsável pela divulgação do candidato. Se a equipe de Aécio não cuidou da questão do SEO – Search Engine Optimization, do candidato, não dá para simplesmente pedir a remoção dos links, e sim, produzir conteúdo relevante para neutralizá-los utilizando as mesmas técnicas.

Com informações do portal Folha de São Paulo

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